segunda-feira, abril 10, 2006

Os primeiros passos

"De uma forma geral, os tradutores podem trabalhar para editoras, centros de documentação, gabinetes de tradução, empresas ligadas à actividade turística e ao comércio internacional e organismos estatais. Normalmente, a actividade destes profissionais é exercida individualmente e em regime liberal (como trabalhadores independentes). Existem tradutores (...) que optam por trabalhar em conjunto e criam empresas ou gabinetes, com vista a prestar serviços às organizações que necessitam de trabalhos de tradução. Nos últimos anos, estes gabinetes têm tido uma procura crescente devido ao aparecimento das televisões privadas que necessitam de especialistas para a legendagem de filmes, programas e espectáculos estrangeiros. Mais recentemente, a televisão por cabo - com programas legendados em português - veio também criar mais hipóteses de trabalho. Em Portugal, os serviços dos intérpretes de conferência que trabalham como profissionais liberais são procurados por instituições públicas e entidades privadas que organizam conferências internacionais no país e no estrangeiro (empresas, ministérios, organizações e associações patronais, sindicais e profissionais, etc.). (...)
No nosso país, o acesso às actividades de tradução e de interpretação não está por enquanto regulamentado, pelo que nada impede que pessoas sem a qualificação apropriada exerçam estas actividades. De facto, quem necessita de serviços de tradução e de interpretação opta, por vezes, por contratar pessoas que, apesar de saberem falar ou escrever na língua materna e em línguas estrangeiras, não são competentes para assegurar o elevado nível de qualidade e rigor destes serviços, pois não detêm as capacidades intelectuais, nem os conhecimentos técnicos e linguísticos que são exigidos. Apesar do mercado de trabalho dos tradutores e dos intérpretes especializados não estar saturado – em termos de combinações linguísticas e da procura de serviços de qualidade (...)
A escolha das línguas de trabalho deve ser muito bem pensada e feita de acordo com as necessidades do mercado de trabalho e com o trajecto profissional que se pretende percorrer. Um primeiro factor a ter em conta é que as oportunidades de trabalho são tanto maiores quanto maior o número de línguas com as quais se trabalha: quem domine mais do que uma língua estrangeira pode, à partida, aceitar mais trabalhos do que aquele que só conhece apenas uma língua estrangeira. Por outro lado, deve-se procurar obter uma combinação linguística menos vulgar. Na área da tradução, o mercado de trabalho está sobretudo saturado de profissionais que dominam somente o inglês e/ou o francês, pelo que é aconselhável saber trabalhar com outras línguas. Na área da interpretação, e apesar de alguma saturação, esta combinação linguística continua a ser a mais procurada. Contudo, é conveniente - embora não seja indispensável - poder trabalhar com duas línguas activas (línguas para as quais se interpreta) e dominar pelo menos mais uma terceira, passiva. (...)

Tendo em conta que são chamados a trabalhar sobre os mais diversos temas, é fundamental que tanto os tradutores como os intérpretes desenvolvam, além das suas competências linguísticas, a sua cultura geral. Os textos que traduzem ou os discursos que interpretam podem ser dedicados a áreas tão diversas como economia, agricultura, direito, engenharia, informática ou medicina e é importante que estes profissionais estejam familiarizados com a terminologia utilizada no âmbito dessas matérias, de forma a compreenderem com facilidade o que é dito ou escrito e a preservarem o seu sentido. (...)
Deste modo, quem inicia uma carreira de tradutor e/ou de intérprete deverá contar com um mercado de trabalho exigente e cujo acesso não é garantido pelo mero conhecimento de línguas estrangeiras. Deverá adquirir, por isso, técnicas especializadas em tradução e/ou interpretação e é essencial que invista em conhecimentos técnicos e conhecimentos gerais, através, por exemplo, de estágios curriculares e profissionais no país e no estrangeiro e de um esforço constante na investigação e na auto-formação."

Para ler o artigo na versão integral: http://www.dgct.msst.gov.pt/profissoes2005/tradutor.htm